FSCHAMBEL - UMA PÁGINA PESSOAL

Domingo, 20 Abril, 2008

A jihad electrónica - 1.ª Parte

Introdução

Longe vão os tempos da guerra, no Afeganistão, contra o invasor soviético e do impulso que a mesma deu à ideia de jihad. Durante este longo e sangrento conflito, chegaram milhares de combatentes islamitas de todo o mundo muçulmano, especialmente de países árabes como a Arábia Saudita, para ajudarem a causa afegã. Foi assim que a jihad, ou guerra santa, contra a União Soviética se transformou na grande causa do movimento islamita radical sunita, contribuindo para a sua mobilização geral, para a sua vitória militar e para a sua afirmação política.

Depois surgiu o espectro do terror local, com a repressão exercida pelo regime taliban, e do terror global, com os atentados perpetrados pela al-Qaeda. Atacados no coração do seu próprio território, os E. U. A. não puderam continuar a ignorar esta organização terrorista e a situação no Afeganistão. Perante a já esperada recusa dos talibans em entregar Osama bin Laden, os E. U. A. realizaram uma poderosa ofensiva diplomática para assegurar os apoios necessários à longa luta contra o terrorismo anunciada por George W. Bush, de que a intervenção militar no Afeganistão seria apenas o primeiro capítulo.

Segundo um artigo referenciado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), com a expulsão dos talibans do poder pela poderosa máquina de guerra aliada, muitos terroristas da al-Qaeda perderam as suas bases de apoio e tiveram de fugir. Foram para um território mais amplo e sem lei, pouco vigiado e cheio de “armas”, que lhes permitiu continuar a disseminar a sua doutrina e a recrutar novos jihadistas: a internet. A diferença entre esse novo território e as montanhas afegãs é que as AK-47, as granadas e outros engenhos explosivos foram substituídos por correios electrónicos, quadros de mensagens, salas de conversação, fotos e vídeos digitais[1].

Um caso paradigmático destas novas tácticas terroristas no ciberespaço foi o do jovem britânico, de origem marroquina, Younis Tsouli, também conhecido por “Irhabi 007”. Tirando uma certa dose de humor negro, inerente ao famoso agente 007, aquele “irhabi” (que, em árabe, significa terrorista) conseguiu introduzir, nos computadores de diversas universidades americanas, imenso material de propaganda, como vídeos e mensagens, de Abu Musab al-Zarqawi, o líder da al-Qaeda no Iraque. A detenção de Tsouli ocorreu em 2005 e permitiu às forças de segurança e aos serviços de informações britânicos compreender melhor os meandros cibernéticos da al-Qaeda[2].

Sem nunca terem pegado numa arma ou sentido a violência dos campos de batalha, os novos jihadistas começaram a usar a internet para revolucionar as estratégias de comunicação, de propaganda e de recrutamento das redes terroristas.

Outras referências:

A jihad electrónica – 2.ª Parte (ver aqui).

A jihad electrónica – 3.ª Parte (a publicar).

A jihad electrónica – 4.ª Parte (a publicar).



[1] Cf. Internet converte-se em arsenal e campo de batalha dos terroristas, artigo de Mariana Della Barba, in “O Estado de S. Paulo”, publicado em 16/09/2007, e referenciado pela Agência Brasileira de Inteligência, www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=1008

[2] Cf. KATZ, Rita e KERN, Michael, Terrorist 007, Exposed, in “The Washington Post”, March 26, 2006, p. B01, www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/03/25/AR2006032500020.html

1 Comentário »

  1. [...] A jihad electrónica – 1.ª Parte (ver aqui). [...]

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